BLOGODAILON

[ Terça-feira, Novembro 23, 2004 ]

 
Tô ficando velho?

Estou chegando no Mc Donalds pra comprar um sundae trevas enquanto aguardo
a Mc Tonta esperar um Mc Tonto com mais experiência e ajeitar o rolo de papel
da máquina registradora. Chegam duas MC Crianças em cima de mim, berrando,
enchendo o saco com seus pais MC Retardados. Nenhuma palavra de imposição
de limite, uma reprimenda, nada disso.

Para os esotéricos: tenho lua em capricórnio e saturno na casa 1, ou seja,
chegado numa repressão básica.

Falando sério, não sou daqueles que defendem palmada na criançada. Também
não sou psicólogo moderninho de manual que acha que a criança faz o que quer pra
"expressar sua liberdade". Também detesto a auto-ajuda estilo Tãnia Zagury, escrito
para a classe mérdia criar "limites" para sua filharada em "pílulas de
sabedoria" a venda em qualquer livraria. Mas compartilho da opinião do
etólogo Konrad Lorenz, que no seu livro sobre a Agressão dizia que as
normas de etiqueta foram criadas como forma de amenizar a agressão entre
os seres humanos.

O que quero dizer é que no meio dessa confusão de normas para educar as
crianças o que está se produzindo, mais que pequenos ditadores, são
pais cada vez mais retardados. Porque não se faz um livro pra educar
essa raça? De repente está ai meu mote pra ganhar dinheiro.


- Pai eu queeeeeeeeeero misto-quente!

Já vai tarde

Carlos Lessa a múmia paralítica, ex-reitor da UFRJ. Eu Odeio as opiniões
estilo Veja que gonga qualquer coisa que eles achem "comunista" ou côgenere.
A múmia foi demitida do cargo de presidente do BNDES e contou com o apoio
do piqueteiros cariocas de primeira ordem: Jandirão, Chico Alencar (esse
que fala tanto em cidadania mas criou caso pra pagar pensão a família) e
por aí vai.

Porque chamo Lessa de múmia? Pelo simples fato dele em debate dos candidatos
a reitor da UFRJ reiterou um discurso digno de qualquer direitista. Repetindo
os dizeres de Cristóvam Buarque, Lessa comentou que não são os pobres
que devem ir a Universidade mas a Universidade ir até os pobres.

Aí o cidadão Poliana floral pensa: olha que bonito, ele se preocupa com
a ralé e propõe que os médicos, enfermeiros, professores, psicólogos,
assistentes sociais, economistas devem olhar para o povo "desassistido".
Mas não é nada disso...

Lessa e Buarque reiteram um dicurso típico da elite brasileira, e pior,
mascarados de esquedista. Ou seja, os ricos vão aos pobres mas quero
os pobres longe do meu território, no caso, a universidade. Pior que
o camarada reacionário de direita, elitista, Justo Veríssmo são esses
que são poseurs da esquerda e se revelam piores que os seus supostos
rivais.

Por isso digo: Lessa, já vai tarde !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Odailon [3:37 AM]

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[ Quarta-feira, Novembro 10, 2004 ]

 
Rápida Notícia

Blog Novo: Pensamentos de Dona Marta. Reúne algumas pérolas ditas pela minha mãe. São pílulas de sabedoria que vale mais que muita auto-ajuda por aí. Na realidade o pensamento dela me é tão inquietante que resolvi dedicar um blog para suas melhores tiradas, sendo elas ditas no mesmo dia em que eu posto. Isso sim é o que eu chamo de informação em tempo real.

www.pensamentosdedonamarta.blogger.com.br

Ou clique em Dona Marta, na lista de links deste blog!
Odailon [1:27 AM]

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[ Segunda-feira, Novembro 08, 2004 ]

 
Complexo de Vira Latas

Fato 1: Não estou bem certo se foi Nélson Rodrigues que cunhou o termo "complexo de vira-latas"
em alusão a vitória da Seleção Brasileira em 1958, dizendo que o campeonato nos fez livrar desse
maldito complexo. De fato ainda existe 46 anos depois esse complexo, pelo qual nos envergonhamos
de nós mesmos e valorizamos os dos outros. E ao que me parece isso não se dá só de brasileiro
em relação ao estrangeiro. Internamente, regionalmente o mesmo complexo se dá.

Fato 2: A cantora baiana Pitty dá uma entrevista ao Globo, carregando nas gírias e termos
paulistas, muito feliz em viver na maior cidade brasileira. A mesma em outras entrevistas
já disse que prefere "o frio paulista" ao invés do calor de Salvador e que odeia carnaval,
símbolo mais popular da cultura baiana.


Pensando: Eu sou carioca e não sou fã de calor. Acho besteira essa coisa
da pessoa ser obrigada a se prender em símbolos considerados nacionais ou regionais só porque
nasceu naquele lugar. Tenho o pé duro pra samba, só pra citar um exemplo, embora eu seja negro
e carioca. Mas ao mesmo tempo não me nego em ser carioca porque a minha história, o que implica
em fator crucial na formação da minha identidade é "made in Rio de Janeiro".

Todavia as declarações de Pitty saem do simples desagrado para o "complexo de vira-latas". As
declarações da cantora abusando das gírias paulistas mostra isso muito bem.Tá certo que a referência
mor dos roqueiros nordestinos é São Paulo, mas se a mesma quer mostrar que a Bahia não é só
carnaval porque ela, ao fazer rock tem que mimetizar como um chimpanzé adestrado o estilo
paulistano?

Tem se um paradoxo:

1- A Bahia não é só carnaval, faz rock também.
2- O rock no Brasil é obrigatoriamente paulista

Logo:

3- Eu imito paulista porque a Bahia é só carnaval.

Ao fazer isso, na realidade, Pitty se mostra mais baiana do que nunca. Uma baiana com vergonha
de suas origens e vexada (será que ela ainda usa esse termo?) na frente do espelho ao ver que
sem o mimetismo paulista ela se sente desnuda, sem máscaras, sem nada. Ironicamente é ela que
canta uma música intitulada "Máscara" cujo refrão é " o importante é ser você, mesmo que seja
estranho".

Pitty em sua pose gosta de citar Huxley, entre outros autores. Apesar do rock inspirar rebeldia
ela é a aluna aplicada na sala de aula: as suas letras são mais uma redação de vestibular
sobre certos autores do que uma criação artística séria. Não proponho que a cantora suba num
trio-elétrico, mas que faça rock, "mesmo que seja baiano, seja você Pitty!".


Oxente neguinho, tu num tá vendo que eu só do Bráis?

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IDIOMAS
-ainda no mesmo assunto-

No Brasil é mais ou menos assim: Paulista jura que é italiano, Catarinense se orgulha de ser alemão,
gaúchos se dividem entre alemães e italianos, carioca tem avô português, pernambucano sonha em
ser holandês e até baiano anda se dizendo nigeriano. Em suma, nada mais "brasileiro" que negar
o Brasil em si mesmo. Baseado nisso e no que vi em algumas bichas criei o Idiom Fag Style. Qual o seu?


- Inglês: É o básico de qualquer bicha fashion, hype,clubber whateaver. É típico da bicha capiau,
suburbana, favelada, classe mérdia, de periferia quando descobrem o que "fashion" e "hype".



- Alemão: Isso descobri esse ano. Faz sucesso com as bichas góticas, em especial paulistas.
Em sua moda, música e por aí vai a referência mor é a Alemanha e outros países da Europa Central
e do Leste Europeu. Elas adoram colocar posts no fotolog com frases alemãs (pra ser diferente
tb da hype que posta em inglês) mas se perguntar a elas quem foi Kant, vão dizer que é a tradução
de cantar. Marx é o sobrenome atual da cantora ex-Trem da Alegria e Wagner é o nome do mecânico
da esquina.



- Francês: Essa língua abastece as bichas desde que mundo é mundo. Era a língua das bichas nos
tempos antigos e com o inglês dominando ficou restrito ás bichas velhas como Clodovil. Mas hoje
volta com força total. É a língua daquela que jura que é culta, que lê poesias, tem "sensibilidade
artística", vai a "vernissages" e adora filme iraniano. Eu me incluo nessa categoria.



- Espanhol: É considerado cafona e só serve praquela bicha metida a hype-engraçada imitar a Thalia
quando dá pinta na boate. Ou pra paquerar argentino, quando o Portunhol reina.



- Iorubá: Por ser uma língua africana, de terreiros de candomblé ficou marginalizada. Por sua vez
é uma das raras religiões em que os travestis podem se manifestar e com isso eles "importaram" pro
seu vocabulário os termos iorubá. O padê, que era oferenda de exu virou cocaína, por exemplo.
Por sua vez todas as bichas dos grupos anteriores também usam, exceto as ex-heteras que tem
medo de dar pinta.



- Português: Infelizmente é a língua negligenciada não só pelas bichas mas por todo o Brasil.
Basta pensarmos nos erros ortográficos e gramaticais nos papos pela internet, em web sites,
conferências acadêmicas e também neste blog.

Odailon [3:29 AM]

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